quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Olho por olho

Se eles têm 
Tanques e canhões,
Nós temos
Lápis, papel e violões.

Eliano Silva.

terça-feira, 15 de outubro de 2013

Amanhecer

I
O sol surge no céu
E aos poucos desperta a população!
Sou um observador da divina criação de Deus
A estrela solar em sua imensidão.

II
Não surjas, ó sol!
Se a vida não for valer a pena
Se seremos corrompidos
pelos velhos comodismos
Se seremos ou não,
somente seres aparentemente vivos.

III
Sou poeta de primeira viagem
E por isso o sol me impulsiona
Mas sei que o que estou a escrever
Não ti decepcionas
Pois o que falo é verdadeiro
É beleza,

É a vida com que sonhas!

Júnior Fontes, poeta aspirante da cidade de Luis Gomes - RN.

sábado, 12 de outubro de 2013

Meio a desejos resignados vivemos.
Agregamos. Ou não?
Mundo incolor, cheio de cores, mas incolor.
Nossos olhos não veem, ou não.
Nossa ignorância vivida, intensa, supera nossa póstuma inteligência mascarada.
A cada passo inseguro nos seguramos naquilo que nos atrai,
Mesmo que seja mentira.
Mesmo assim, nos mascaramos naquilo que nos agrada, às vezes.
Mascaramos nossas personalidades no que queremos parecer,
Mas, nem sempre sendo quem realmente somos,
Ou quem queremos ser.
Mesmo assim, resignados agregamos tudo que possuímos,
Em busca de verdades, resignados, agregamos o que aprendemos
E quando tudo está em mãos, nos decepcionamos, às vezes,
Com a simplicidade e a "dureza" da realidade.
Ou seremos nós inflexíveis?



Renato Arcanael.

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

Repressão

Por mais que bata,
Que doa,
Que sangre,
Que manche...

A borracha dos seus cassetetes não
Apagarão
Os ideais dos meus poemas!


Luiz Luz, o poeta pirata.

sábado, 14 de setembro de 2013

De pés no chão

Se uma andorinha só não faz verão,
o que fará um estudante sozinho
lutando em prol da educação?

sabemos que o caminho é longo
e que as batalhas são árduas,
que o grito engasgado
pode ser reprimido com duras penas.

sabemos que irão nos criticar, zombar,
julgar o nosso posicionamento.
e que nossos nomes 
estarão na boca dos que não entendem
o motivo de estarmos aqui.

sabemos que nem sempre 
vamos ter o resultado esperado,
que iremos cair
e que o pó nas roupas 
terá que ser tirado constantemente

sabemos que a mudança 
só vem por meio da revolução.
e que é preciso abrir mão 
do nosso comodo lazer
e ir ao campo de batalha
fazer acontecer.

e sabemos mais que tudo 
que essa é a hora
de unir nossas forças e pensamentos 
para alçarmos voo
com a cabeça no alto
e de pés no chão!

Alex Moura.


quarta-feira, 4 de setembro de 2013

Deflagrando-me

Nada lhe suplico, além das noites cretinas
Quando comigo cumplicia dos
Teus impulsos felinos,
O hálito com que suga minha saliva,
Teus afagos de cão abandonado
Ansiando meus poros
                       Dilatados,
                       Inflamados,
                       Úmidos,
Ao senti-lo vivo,
Deflagrando-me.




Rayane Medeiros.

sexta-feira, 23 de agosto de 2013

Exausto

Eu quero uma licença de dormir,
perdão pra descansar horas a fio,
sem ao menos sonhar
a leve palha de um pequeno sonho.
Quero o que antes da vida
foi o sono profundo das espécies,
a graça de um estado.
Semente.
Muito mais que raízes.



Adélia Prado 

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

O coração da liberdade

Estive, estou e estarei
no coração da realidade,
perto da mulher que dorme,
junto do homem que morre,
próximo à criança que chora.

Para que eu cante, os dias são momentâneos
e o céu é o anúncio de um pássaro.
Não me afastarei daqui,
da vida que é minha pátria,
e passa como as águias no sul
e permanece como os vulcões extintos
que um dia vomitam sono e primavera.

Minha canção é como a veia aberta
ou uma raiz central dentro da terra.
Não me afastarei daqui, não trairei jamais
o centro maduro de todos os meus dias.
Somente aqui os minutos mudam como praias
e o dia é um lugar de encontro, como as praças,
e o cristal pesa como a beleza
no chão que cheira à criação do mundo.
Adeus, hermetismo, país de mortes fingidas.
Bebo a hora que é água; refugio-me na estância
quando a aurora é mistura de orvalho e de esterco,
e estou livre, sinto-me final, definitivo
como o tempo dentro do tempo, e a luz dentro da luz
e todas as coisas que são o centro, o coração
da realidade que escorre como lágrimas.


Lêdo Ivo.

sexta-feira, 9 de agosto de 2013

LEMBRANÇA ALADA

Em alguma vida fui ave.

Guardo memória
de paisagens espraiadas
e de escarpas em voo rasante.

E sinto em meus pés
o consolo de um pouso soberano
na mais alta copa da floresta.

Liga-me à terra
uma nuvem e seu desleixo de brancura.

Vivo a golpes
com coração de asa
e tombo como um relâmpago
faminto de terra.

Guardo a pluma
que resta dentro do peito
como um homem guarda o seu nome
no travesseiro do tempo.

Em alguma ave fui vida.



Mia Coutopseudônimo de António Emílio Leite Couto, biólogo e escritor moçambicano.


terça-feira, 12 de março de 2013


As vezes tenho vontade de me repartir
sinto que minha tristeza é má
é como metamorfose aguda
é um diluvio ocidental

São minhas feridas
que queimam minha alma sem dó 
ela resseca meu coração moribundo 
me transforma em outro alguém

Me socorra 
alguém 
sinto que a magoa já toma conta de mim 
sinto ela devorar-me 

Estou totalmente perdido 
ninguém pra me socorrer
ninguém pra me dar carinho
que tristeza o meu lamento 
o lamento na vida

Morto estou
nesse mundo submerso 
e por isso
sempre me calo


Renan Lacerda.

terça-feira, 5 de março de 2013

Duas musas


Entre decotes e blusas
Jogados no camarim,
Tenho agora duas musas
Que dizem gostar de mim...
Uma qual linda safira
Diz que há muito me admira,
Desde os meus tempos de atleta,
Já a outra, culta e meiga
Se derrete qual manteiga
Com meus vultos de poeta...

Uma lê versos de Augusto
Quando vem falar comigo
E a outra me mostra o busto
Como forma de castigo.
Uma me seduz à cama
Sem beber da minha fama
Nem por brilho no meu olho,
Mas a outra é muito linda
E eu não decidi ainda
Qual das duas eu escolho.

Uma tem beleza interna
Muito embora seja pouca,
Porém quando cruza a perna
Me deixa de água na boca...
A outra é politizada
Resolvida e embelezada
Pelos próprios ideais
E neste clima bem tenso,
Gente pensa que eu não penso,
Mas eu não me importo mais...

Duas mulheres singelas
Que não me deixam sozinho,
Duas pecadoras belas,
Pedaços de mau caminho.
Duas ventanias brabas
Sempre a sacudir as abas
Deste meu peito em açoite,
Duas pétalas de lírio,
Duas doses de martírio
Enchendo a taça noite...
  
Uma parece com uma
Dose letal de veneno
E a outra é como uma bruma
Numa manhã de sereno...
Eu que fui feito palhaço
Só de perverso não faço
Com que a coisa fique séria,
Sano as vontades que sinto
Como um animal faminto
Alimentando a matéria.

As duas pensam, coitadas,
Que eu por elas tenho gosto,
Mas estão muito enganadas,
Porque a mim já foi imposto,
Que nem mesmo Carla Perez,
A mais bela das mulheres,
Merece meu sentimento,
Pois achar mulher sincera
É como triste quimera,
Qual folha seca no vento...

Eu nem sei se as duas buscam
Uma alma verdadeira
Ou se sem saber ofuscam
O meu sonho na terceira,
A terceira é flecha certa,
É como uma chaga aberta
Num mendigo pelas ruas,
E eu vou como um homem ruim
Enganando mais a mim
Por enganar todas duas...

Porém como essa terceira
Não sabe nem que eu existo
Eu vou sofrendo à maneira
De Deus na Paixão de Cristo,
Vou procurar uma quarta
Mesmo com minh’alma farta
De um amor que me recusa,
Tentando driblar a sorte
Antes que a própria morte
Seja a minha quinta musa.


Manoel Cavalcante

domingo, 3 de março de 2013

Eu Não Quero Mais Fugir

Estou presa,
Sem algemas
Sem grades.
Encarcerada por um toque, 
Condenada por esse vulcão!

Por um segundo quero fugir
Mas o teu braço me aperta
O seu toque me queima
Então desisto de ir.

Me diz baixinho que me quer
Condena-me ao paraíso
Me joga, como se fosse teu brinquedo.
Confesso, tenho medo.

Mas o teu braço me aperta...
E eu não quero mais fugir.


Fernanda Fernandes


quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Pablo Neruda

Sou neste fim sem solidão
um animal de luz ecurralado
por seus erros e pela sua folhagem:
grande é a selva: aqui meus semelhantes
pululam, retrocedem ou traficam,
enquanto eu me retiro acompanhado
pela escolta que o tempo determina:
ondas do mar, estrelas da noite.

É pouco, é bastante, é escasso e é tudo.
De tanto ver meus olhos outros olhos
e minha boca de tanto ser beijada,
de haver tragado a fumaça
daqueles trens já desaparecidos,
as velhas estações desapiedadas
e o pó das incessantes livrarias,
o homem eu, o mortal, fatigou-se
de olhos, de beijos, de fumo, de caminhos,
e de livros tão mais densos que a terra.

E hoje no fundo do bosque perdido
escuta o rumor do inimigo e foge
não dos outros mas sim de si mesmo,
dessa conversação interminável,
do coro que cantava junto a nós
e do significado desta vida.

Por uma vez, porque uma voz, porque uma
sílaba ou o transcurso de um silêncio
ou o som insepulto da onda
me deixam frente à verdade,
e não há nada mais para decifrar,
nada mais para falar: era tudo:
e fecharam-se as portas desta selva,
circula o sol abrindo suas folhagens,
e sobe a lua como uma fruta branca
e o homem se acomoda ao seu destino.




 O Poeta.


sábado, 26 de janeiro de 2013

O Adeus

Vida ao que parece, vai desaparecer
Acumulando mais cotidiana
Se perder dentro de mim
Nada importa mais ninguém
Eu perdi a vontade de viver
Simplesmente nada mais a dar
Não há mais nada pra mim
Preciso do fim para me libertar

Coisas não são o que costumavam ser
Faltando um dentro de mim
Mortalmente perdido isso não pode ser real
Não posso suportar este inferno que sinto
O vazio me preenche
Para o ponto de agonia
Crescente escuridão tomando a aurora
Eu era eu, mas agora ele se foi

Ninguém além de mim pode me salvar, mas é tarde demais.
Agora eu não posso pensar por que eu deveria tentar.

O ontem parece que nunca existiu,
Morte me cumprimenta quente, agora eu vou apenas dizer adeus.

Hércules Freitas.

sábado, 19 de janeiro de 2013

Hai Kai


HAI
Eis que nasce completo
e, ao morrer, morre germe,
o desejo, analfabeto,
de saber como reger-me,
ah, saber como me ajeito
para que eu seja quem fui,
eis o que nasce perfeito
e, ao crescer, diminui.


KAI
Mínimo templo
para um deus pequeno,
aqui vos guarda, 
em vez da dor que peno,
meu extremo anjo de vanguarda.


De que máscara
se gaba sua lástima,
de que vaga
se vangloria sua história,
saiba quem saiba.


A mim me basta
a sombra que se deixa,
o corpo que se afasta.



Paulo Leminski